quarta-feira, 9 de junho de 2010

Performance criativa: nudez pela arte







Nesta última 40 horas de criatividade, no Atelier Lourenço de Bem, cheguei com vontade de adentrar mais no processo criativo.
E omo estava num momento de análise pessoal, descobertas de limites, ousadia de sentimentos, o meu foco só poderia ser no: EU.

Resolvi imprimir meu corpo no papel machê. Fiz uma estrutura retangular e imprimi minha mão. Gostei e fiz o mesmo com o pé. Aí resolvi colocar o de mais pessoal: meu beijo.
Como engatei uma quinta de idéias e estava sem freios - nesse dia em particular! - resolvi fazer uma estrutura para imprimir meu corpo e o fiz com meu corpo nu, sob forma de performance, com música da Ray D'Castro.

Foi a primeira vez que realizei tal feito e como estava com amigos foi tudo muito confortável.
Valeu testar desafiar minha coragem, valeu a experiência, valeu o resultado!
Assim como Duchamp já nos abriu os olhos mostrando que tudo pode ser arte, acrescento a meu modo que tudo é válido pela arte...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

40 HORAS DE CRIATIVIDADE





















O Atelier-Galeria Lourenço de Bem há mais de 10 anos realiza periodicamente um evento chamado: "40 horas de Criatividade".

A idéia do próprio Lourenço é que numa jornada de arte contínua, que se inicia na sexta à noite e termina no domingo, os artistas entrem num "boom" de criação.Ou seja após vários estímulos sensoriais de criação visual permeada de músicas, poesias, danças, performances, shows, conversas, cheiros, degustações, tatos...os artistas se impregnem de arte e a exalem por todos os poros...
A idéia é brilhante e o resultado costuma ser, apesar de variável de pessoa a pessoa, sempre é estupendo!

Segue as fotos, para degustação, deste último evento que teve esculturas e pinturas de Lourenço de Bem, Salete Henkes, Bete Ferrarezi, Marco Antony, Breno Mazza . Pintura: Jeanne Maz, Nelci Baltah, Walkíria Borges e Mássimo Massaglia. Cerâmica: Nádia Bacin. Fotografia de Kell Motta e Jeanne Maz. Música: Rai D'Castro. Entre outros

quinta-feira, 13 de maio de 2010

NICOLAS BEHR




No aniversário dos 50 anos de Brasília, todos os setores da cidade fervilhavam, mas as artes é que mais fogueira fez.
Foram saraus, shows, peças, mostras de artes visuais, ou seja sons e formas em todas não-esquinas de Brasília.

Como amostra representativa das artes escolho um poeta que pelo conteúdo artístico, ecológico e político, para mim, representa o verdadeiro candango: uma espécime pura e também cheia de misturas, como todos nós aqui por essas paragens.
É um artista que tive o prazer de interpretar sua obra, neste abril, o poeta Nicolas Behr.

Para compartilhar esse deleite deixo com vocês esse conjunto de poemas que fala por mim e por si só explica a importância deste poeta para nossa capital...

POEMAS ACERCA DE BRASÍLIA:

demarcar a área do poema
no planalto central,
tomar posse do poema,
ocupá-lo, loteá-lo
e depois abandoná-lo
nesta página


Brasília só para convidados

sem crachá não entra
sem carimbo não entra
sem puxar saco não entra
sem este poema não entra


enquanto os candangos dormiam
a cidade surgia, impulsionada
pelo entusiasmo do sonho
de construir

por isso, segundo a lenda,
diz-se que em Brasília
os edifícios e os monumentos
apareciam como que por
encanto, espontâneos,
brotando do chão


Tudo estava muito bem planejado

brasília seria demolida
logo após a inauguração

porém, no último instante,
num gesto de grandeza,
jk mudou de idéia

dor arquivada
felicidade protocolada
utopia adiada

brasília é o fracasso
mais bem planejado
de todos os tempos


blocos, eixos, quadras

senhores,
esta cidade
é uma aula
de geometria


palácio da justiça
bicho, esse palácio é a maior cascata!

senhores turistas
eu gostaria
de frisar
mais uma vez
que nestes blocos
de apartamentos
moram inclusive
pessoas normais


Bem, o sr.
Já nos mostrou
Os blocos, as quadras,
Os palácios, os eixos,
Os monumentos...

será que dava pro sr.
nos mostrar a cidade
propriamente dita?


naquela noite
suzana estava mais W3
do que nunca
toda eixosa
cheia de L2

suzana,
vai ser superquadra assim
lá na minha cama

os três poderes são um só: o deles

o plano pilatos lava as mãos
e a sujeira vai toda pro paranoá

burocratas de verdade só fazem amor em almofadas de carimbo

quando estou muito triste,
pego o grande circular
e vou passear
de mãos dadas
com o banco

entrei naquele ônibus da tcb
como quem não queria nada

nem o troco

maria me amou
pelo crediário tentação

maria me amou
em cinco prestações mensais

maria me amou
sem entrada e sem juros

maria me amou
na cama
na mesa e no banho
o guardador de carros
do estacionamento
do jumbo é meu amigo

(isso é poesia? Pergunta
um membro qualquer
da academia...)

só sei que o sorriso dele
é poesia. a gentileza dele
é poesia. o sofrimento
dele é poesia

o seu não é


ASSIM COMO DEIXAMOS O MELHOR PARA DEPOIS FECHO COM A FAMOSA NOSSA SENHORA DO CERRADO:

Nossa senhora do cerrado,
protetora dos pedestres
que atravessam o eixão
às seis horas da tarde,
fazei com que eu chegue
são e salvo na casa da noélia

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sarau Brasília 50 anos













ONTEM, QUINTA, OCORREU O 37º SARAU DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

REALIZADO NA BIBLIOTECA DEMONSTRATIVA DE BRASÍLIA NA 506/507 W3 SUL.
UMA VERDADEIRA FESTA AOS 50 ANOS DE BRASÍLIA, NUMA PROPOSTA DE 50 POETAS CANDANGOS (ou que se fizeram candangos por força do amor aos nossos eixos e satélites)SAUDAR A CAPITAL NUM SARAU DIVERTIDO.
A IDÉIA E ORGANIZAÇÃO ESTAVA A ENCARGO DO GRANDE ESCRITOR E CRIADOR DO SARAU DA CÂMARA: MARCO ANTUNES

ALÉM DOS ESCRITORES, O SARAU CONTOU COM MÚSICOS DA CIDADE QUE HOMENAGEARAM NOSSAS MAIS REPRESENTATIVAS TRADIÇÕES MUSICAIS: OSWALDO MONTENEGRO, RENATO RUSSO E CAPITAL INICIAL.

NA OPORTUNIDADE FOI REALIZADO UM JOGRAL ONDE OS ESCRITORES: ROBERTO KLOTZ, ALEXANDRA RODRIGUES, ISOLDA MARINHO E JEANNE MAZ HOMENAGEARAM O GRANDE POETA DA NOITE, NICOLAS BEHR, QUE LANÇAVA DOIS LIVROS NA OCASIÃO.

MAS O PONTO ALTO DA NOITE FOI QUANDO O GRUPO "LIGA TRIPA" ENTROU NO MEIO DA PLATÉIA, COM INSTRUMENTOS MUSICAIS E SEM MICROFONE CANTOU SEUS CANTOS QUE MAIS REPRESENTAM A ALMA DE BRASÍLIA.

E MAIS EMOCIONANTE FOI CANTAR NOSSO "QUASE HINO":

"nossa senhora do cerrado,
protetora dos pedestres
que atravessam o eixão
às seis horas da tarde,
fazei com que eu chegue
são e salvo na casa da noélia,
nonô, nonô, nonô, ô,ô,ô,ô,ô..."

E NUMA CONJUNÇÃO ASTRAL RARA, DESSAS DE FAZER INVEJA A QUEM NÃO PODE PRESTIGIAR, ESTAVAM JUNTOS NESTE MESMO ESPAÇO-TEMPO O AUTOR DA POESIA-MÚSICA: NICOLAS BEHR,
A NOÉLIA RIBEIRO (NONÔ) QUE INSPIROU A LETRA
E O GRUPO CANTANDO A VERSÃO QUE IMORTALIZOU...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Uma semana de poesia










Ontem oficialmente começou a Semana dos Saraus Poéticos deste abril brasiliense e a poesia incansável percorrerá as asas e lagos de Brasília, do norte ao sul.

O chute inicial foi na Asa Norte, que se fez presente no Sarau Terça (In) Verso, no café da Rua 8.E além do aniversário de Brasília comemorávamos o aniversário do poeta Jorge Luiz Vargas e a festa foi o guia da noite.

Mas o brinde mesmo só pode ser feito com poesia. Deixo então uma poesia do poeta aniversariante que casa com o momento, com a noite estrelada e com a alma dos poetas...

CONTANDO ESTRELAS
(Jorge Luiz Vargas)

Quando sinto saudades
Sigo com meus olhos o céu
E conto as estrelas
Que me contam de você

Todas elas me lembram nossa história
Retornam detalhes do que vivi
E de tudo o que me fez sonhar
Levados no encanto de te amar

As estrelas me mostram
Que tenho muito que viver
Sonhar... E lá no céu
Dividir meu amor com você

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brasília cara a cara




Dia 15 de abril foi a abertura no
Teatro Nacional Cláudio Santoro - Brasília
da exposição:

" A Cara de Brasília "
A mostra, que objetiva mostrar através das
artes visuais a nossa Brasília, ficará
exposta até 30 de abril.

Fiz-me presente com esta obra:
Brasília 50 anos: "Mesmo com controle nossos anjos voam"

Brasília 50 anos



Aniversário de 50 anos de Brasília é impossível fingir de morto, mesmo
quando a politicagem desvirtuosa ofuscou o brilho da festa.

Da maneira que sei melhor presenteio minha terra com uma poesia
que tem o lastro da minha terra natal - e nosso Manuel Bandeira - mas que é um canto de amor à cidade que adotei como minha:

MINHA BRASÁRGADA

Nas esquinas ausentes
procuro esta menina
e quadras pareadas
de ruas paralelas
de paralelepípedos verticais
de velocidade controlada

Mesmo sem amizade do rei
procuro esta dama
A Brasília dos ipês
Das misturas de credos
dos matizes cantados
do céu mescladamente ímpar
das tribos que se unem
da força do concreto
da vias arborizadas

Quero-te grandiosa,
Selvagem,
mística
sempre assim
Repleta de possibilidades
Senhora de mim

Jeanne Maz

terça-feira, 20 de abril de 2010

Pirenópolis e seus oito dragões















Estive em Pirenópolis (GO) nesta última semana santa e fui tocada por um passeio especial: as Cachoeiras dos Dragões que ficam dentro do mosteiro zen. A idéia partiu dos meus filhos de desvendar passeios novos a cada viagem.

A trilha, claro, é um Jardim Zen e como cartão de visitas inicial fomos saudados pela "polliana", a flor amarela, símbolo da cidade. A flor como quase toda vegetação deste lugar é rupestre, ou seja, nasce em rochas, encostas, pedras e mesmo assim encanta pela vivacidade e pela delicadeza.

As cachoeiras são descritas simbolicamente como o caminho filosófico do Treinamento Zen. Descrevo conforme entendi do guia e absorvi do local, sem compromisso com a veracidade já que não tenho autoridade para explicar essa cultura e filosofia.

Vamos então às cachoeiras e seus ensinamentos:
1ºPortão do Dragão: É o portal onde você penetra neste universo, disposto a seguir essa trajetória. A cachoeira é pequena, difícil subí-la; você pode cair várias vezes. Poucos entrarão de verdade nesta filosofia e se tornarão dragões.

2ºDragão Azul: É uma cachoeira com penhasco. O dragão está escondido na sua caverna e para penetrá-la há de ser com sacrifício, se faz necessário ter coragem de ver o sofrimento de frente.

3º Pérola do Dragão: A pérola está escondida em águas profundas, não se vê o fundo e há necessidade de um grande mergulho no escuro para encontrar a riqueza desta pérola negra, rara, preciosa. Este é o contato com seu eu mais escondido, mais doloroso, mais submerso.

4º Nuvens do Dragão: Após o contato com sofrimento e o mergulho no seu eu mais escuro, com a pérola em mãos o dragão se lança aos céus. Mas neste vôo lhe chegam as nuvens, que representam o caos liberado por todo esse caminho de descobertas.

5º Dragão Verdadeiro: Depois de toda estrada percorrida você fala, estuda, medita em busca de ser um dragão. No entanto quando o verdadeiro dragão chega é assustador, inquietante, mas não exige justificativa. Como diz o Monge Tokuda, mestre e fundador do espaço: “é hora de aceitar o susto calado”.

6º Dragão Voador: Corresponde ao vôo do dragão após ter contato com seu dragão verdadeiro ele está pronto para voar aos céus. Neste momento ele voa livre e sem medo. Abro uma observação: esta é a cachoeira mais linda do local. Que maravilha é poder voar!!!

7º Dragão do Céu: É quando ele já realizado saí do mosteiro e começa a usar sua força na comunidade. É somente no seu trabalho árduo, persistente e diário que ele chega aos céus.

8º Rei dos Dragões: Uma cachoeira de vários planos onde ficam os urubus-reis no fim da tarde. O rei dos dragões é o guardião do lugar, responsável por manter a sabedoria de todo mosteiro, de toda filosofia zen. De todos os dragões...

Meus filhos adoraram imensamente o passeio e as histórias do local. Combinamos um dia fazer o retiro zen para entrar em contato com nossos dragões interiores.
Breno, meu caçula, mostrou interesse maior. Nada a se estranhar em alguém vegetariano, defensor dos animais, e que tem como paixão uma coleção de dragões que preenche todo seu quarto.

Confesso que depois desse passeio deslumbrante ainda estou aqui magicando sobre esses dragões...
Texto de Jeanne Maz